A importância do ensino diferenciado

Se as pessoas não são todas iguais, porquê esperar que os estudantes o sejam?
E, não sendo todos iguais, também não será muito adequado ter a expectativa de que aprendam todos da mesma forma.
Devido à plasticidade neuronal, cada aluno estabelece ligações cerebrais diferentes perante uma mesma situação de aprendizagem. É por esta razão que é importante promover o ensino diferenciado. Embora existam várias premissas para tornar efetivo o ensino diferenciado, refiro apenas duas, por me parecerem as de mais fácil aplicação.
É importante promover o ensino diferenciado, porque cada estudante estabelece ligações cerebrais diferentes diante uma situação de aprendizagem idêntica
Primeiro: Escutar os alunos
Para promover o enino diferenciado, primeiro, é necessário escutar os alunos e permitir-lhes participar na forma como vão apender a matéria.
Logo aqui existem duas vantagens. A primeira, sentem-se parte ativa daquele grupo e daquele processo e não meros espectadores, no papel passivo de receber a informação. Ao serem considerados e respeitados os seus desejos – ou uma solução de compromisso entre o desejo e as possibilidades reais - isso dá-lhes a motivação e a força para continuar.
Permitir aos alunos que participem ativamente e considerar os seus desejos na forma de aprender mantém a motivação em alta.
Segundo: ter em conta as preferências individuais de cada aluno
A segunda vantagem está relacionada com a aprendizagem propriamente dita. Quanto mais a forma como a matéria é dada, manipulada e abordada estiver adequada à realidade e preferência individual dos estudantes, mais facilmente os conteúdos ficarão armazenados na memória de longo prazo. Ao serem catalogadas como memórias agradáveis, por respeitarem as características individuais do aluno, são mais duradouras e facilmente trazidas à memória de trabalho, quando necessário.
Quando memórias relacionadas com a aprendizagem de um conteúdo específico são catalogadas como memórias agradáveis, são mais duradouras e facilmente trazidas à memória de trabalho, quando necessário
Quando a um aluno que não gosta de escrever ou tem alguma dificuldade relacionada com o discurso escrito é pedido que elabore um texto sobre um conteúdo está, automaticamente, a ser criado um ponto de recusa em relação a esse trabalho. Quando é permitido ao aluno trabalhar o conteúdo de uma forma que o satisfaça ou que vá ao encontro das suas preferências a sua motivação e empenho serão sempre maiores e os resultados melhores.
Não é que o aluno só deva trabalhar da forma que mais gosta. Mas, ao permitir que o faça vai manter a motivação em níveis mais elevados e é essa motivação que vai permitir aplicar um esforço menor quando for necessário dar resposta às tarefas menos prazerosas.
A origem disto tudo é, evidentemente, o facto de o cérebro ser um preguiçoso e não querer gastar energia. Sim, o seu também!
